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Blog da Tanara




Único lar de repouso curitibano exclusivo para mulheres faz a diferença na comunidade do Xaxim

“Vim para esse paraíso por opção”. O paraíso ao qual a dona Maria Luísa, 75 anos, se refere é a casa para idosas Lar Iracy Dantas de Andrade, localizada no Xaxim. Com o intuito de formar um refúgio para que mulheres consigam ter uma velhice com qualidade, o Lar Iracy tem como proposta ser um local de repouso diferenciado, traduzindo de modo singelo e eficaz o conceito de envelhecer com dignidade.


Idealizado em 1982, o lar passou por 11 anos de luta para sair do papel. A casa está em pleno funcionamento desde 1995 e atua com idosas acima de 60 anos.  Esta é, aliás, a proposta do lugar: acolher apenas mulheres. “A iniciativa de construir uma instituição destinada somente a mulheres se deu após verificarmos que a demanda de idosas era maior que o número de idosos”, explica Lis Morais da Silva, gerente administrativa. “A ideia surgiu através das visitas que um grupo de senhoras realizava nas casas onde se encontravam pessoas doentes ou idosas. Essas mesmas senhoras fundaram a instituição”.

Passando em frente ao portão marrom do número 370, é quase impossível imaginar as maravilhas que acontecem lá com as 28 residentes. Tempo ocioso não existe e os dias são sempre preenchidos com lanches coletivos, bingos e mimos como manicure, pedicure e músicas ao vivo aos domingos à tarde. Além de toda a programação diferenciada, a casa conta com plantão médico 24 horas, tratamento psicológico e exercícios que estimulam o corpo e a mente das residentes. Outro ponto a ser considerado é o constante zelo com as pacientes. “O lar se destaca no cuidado porque respeitamos e valorizamos cada pessoa. Cada uma tem sua história de vida, suas próprias manias e seu jeito de ser”, conta Lis.


Os familiares sentem que fizeram um bom negócio e não enxergam a instituição como um asilo, indo contra a maré do senso comum. “Minha mãe é muito bem tratada. Não acho que abandonei ela, pelo contrário. Com ela aqui, sei que seu desenvolvimento é melhor do que em casa. Mesmo com Alzheimer, aqui ela fica com a mente ativa e eu sinto que a doença dela acaba nem tendo tanta força graças ao tratamento que ela recebe”, explica Luzineire, filha de dona Francisca, residente há dois anos.

EMPODERAMENTO E AUTO CUIDADO ATÉ NA VELHICE

A casa procura proporcionar autonomia e inspirar sentimento de segurança e liderança até onde for possível. Isto se reflete, inclusive, no número de residentes que entram na fila de espera por opção própria. Como o caso da Maria Luísa, que define seu paraíso com carinho. “Estou aqui há sete anos e eu gosto porque como eu não tenho nem pai e nem mãe, não tem porque passar meus dias sozinha”, explica.

Dona Maria foi enfermeira durante 33 anos e após cuidar tanto dos outros, decidiu que estava na hora de ser cuidada. “Quando eu me aposentei, passei a escritura da minha casa para o meu sobrinho, dei a minha aposentadoria para a minha irmã e fui buscar um lugar pra envelhecer em paz”, conta. “Meu pai adoeceu, e eu cuidei dele até morrer. Depois cuidei da minha mãe. Quando não sobrou mais ninguém pra cuidar decidi que estava na hora de descansar. Quando me perguntam porque eu estou aqui, tenho orgulho de dizer que é porque eu quero, ninguém me obrigou”.

A despeito de todas as limitações que o processo de envelhecimento traz, a casa de repouso se esforça em tornar a vida de quem ali habita o mais leve possível, bem como proporcionar uma independência para as residentes. “Aqui somos duas por quarto, eu sou com a dona Sebastiana”, explica Maria.
A liberdade também é outro fator de empoderamento no Lar Iracy. As senhoras podem passar finais de semana fora, na casa dos familiares, por exemplo. Passeios são realizados com regularidade e é permitido o uso de objetos pessoais. Dona Sebastiana, 77 anos, exalta sua independência e não sai de perto do seu celular. Lúcida, explica o porquê: “levo ele comigo porque assim me comunico com outras pessoas. Também tenho meus jogos, troco minhas mensagens, tudo pelo celular”. Nascida na Paraíba, ela também foi para o Lar Iracy por opção própria. “Aqui eu convivo com outras pessoas e nunca fico sozinha. Quando quero algo inusitado peço para alguém, mas quase nunca precisa porque aqui tem tudo”.

TRABALHO POR AMOR

A qualidade da casa e o que a faz ser referência no cuidado com idosas em Curitiba passa também pela dedicação dos profissionais. “Aqui eu não trabalho só pelo dinheiro. Eu trabalho por amor e gosto do que eu faço”, conta Rosana, cuidadora que está no Lar há quatro meses. Com 15 anos de experiência assistindo a idosos, Rosana enxerga só benefícios para as pacientes no dia a dia da rotina. “A diferença não está só por sermos do mesmo sexo, mas sim no cuidado, na afinidade com as residentes. Tudo isso influencia de forma muito positiva no nosso trabalho”, explica. “Embora minha dedicação seja a mesma em todos os lugares pelos quais passei, é diferente trabalhar em um lugar só com mulheres. Para nós, é uma experiência positiva porque a comunicação flui melhor bem como a interação e a liberdade entre a gente”.  

DESAFIOS

Com toda estrutura preparada para recepcionar apenas 28 residentes, a fila de espera preocupa aqueles que ainda não conseguiram uma vaga. Ademario ficou com sua mãe na fila por mais de um ano e outras treze pessoas seguem no aguardo. “Aqui só surge vaga quando alguém falece”, explica Ademario. Fora isso, ainda existe o fator de subsistência do local. O Lar Iracy não conta com apoio governamental, algo que torna o funcionamento cem por cento dependente de ajuda de patrocinadores e doações da comunidade.

A instituição possui residência fixa no bairro Xaxim, em Curitiba (pra quem mora perto e quiser ajudar). Há coordenadoras que buscam as doações, mas estas podem ser feitas também direto no local. “Alimentos são sempre bem-vindos, mas toda e qualquer ajuda é válida”, conclui Lis. 

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O Índice de Cidades Empreendedoras (ICE) do Brasil, feito em 2017 pela Endeavor Brasil , mostrou um estudo com as melhores cidades para ser empreendedor (a) no país. A pesquisa, listada em forma de ranking, foi feita em 32 cidades de 22 estados. Todo o estudo leva em consideração sete fatores. São eles: capital humano, infraestrutura, inovação, cultura empreendedora, acesso a capital, ambiente regulatório e mercado.

Mesmo em um país onde a mão do Estado ainda pesa em cima de quem quer abir o próprio negócio, ainda existem cidades onde o poder de regulamentação é moderado, as taxas são menores e a flexibilidade para investir em ideias e ter um retorno lucrativo com elas é uma possibilidade real. Neste cenário, é um deleite para os curitibanos saber que eles se encontram na 4ª posição, ficando atrás somente de São Paulo (1º), Florianópolis (2º) e Vitória (3º). A cidade subiu 11 posições desde a última vez em que o estudo foi feito, saindo do 15º para enquadrar entre as 5 melhores. Apesar de ter pontos relevantes a serem aprimorados, a capital paranaense se destacou na lista pela qualificação dos profissionais, bem como um mercado regulatório satisfatório e aprimorado. 

Outro diferencial dos profissionais da capital é a capacidade de constante renovação e a abertura para o novo, o desafiador. Em um país onde a burocratização é um dos principais fatores que dificultam o cidadão a abrir o próprio negócio - empresas levam em média 80 dias só pra conseguirem ter as condições próprias para operar - o empreendedor curitibano tem a vantagem de efetivamente viver em um estado onde as condições não só são (um pouco) melhores como também entende a necessidade de buscar alternativas para criar um negócio mais liberal, indo contra a maré taxativa do Estado.

Outro ponto a ser considerado no momento do investimento é a faixa econômica dos consumidores. Em um contraposto com estados do norte e nordeste (listados entre os menos acessíveis para se abrir um negócio) as condições de consumo - necessárias pra fazer a "roda girar" - precisam crescer e serem minimamente proporcionais ao que é investido. E isto acontece em Curitiba, por exemplo, também motivo para a cidade ter subido tanto em tão pouco tempo.

Voltando para o ranking, dentro do Top 10 encontra-se Maringá, em 8º lugar (mostrando que, mesmo com as limitações estruturais de uma cidade com pouco mais de 300 mil habitantes, quando se tem visão de mercado e ambiente favorável, o céu é o limite). Mais abaixo, mas ainda dentro do estudo, temos também Londrina em 13º lugar, se destacando também pela redução efetiva da complexidade tributária e a redução dos processos.

Este é um cenário indubitavelmente positivo e a tendência é só melhorar. É importante colocar que junto com condições melhores para fazer o capital girar é inevitável o olhar dos investidores, tornando a negociação e a abertura de capital crescentes em um período de médio a longo prazo. Apesar de São Paulo ainda estar em primeiro lugar da lista (pelo terceiro ano consecutivo até 2017), não dá pra negar que Curitiba impõe respeito e credibilidade suficientes para se mostrar um lugar seguro tanto em termos de investimento quanto de abertura de um negócio. E este é o ambiente mais favorável possível para profissionais liberais, incluindo coworkers, por exemplo. Mas isso é assunto para um outro post. hehe


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Eu sou uma pessoa que, em termos políticos, me enquadro naquela bolinha de centro direita. Entretanto, mesmo assim, tive certa resistência em entender e apoiar a Reforma da Previdência. Não que meu apoio faça alguma diferença, mas de todo modo procurar entendê-la pra compreender em que lugar estamos e qual é o nosso papel ao apoiá-la ou refutá-la, é de fundamental importância. 


Acho que cabe aqui uma breve explicação sobre o que seria a Reforma. Atualmente, a idade mínima para os homens se aposentarem é 60 anos (ou 35 de contribuição previdenciária) e 55 para as mulheres (ou 30 anos de contribuição). Deste modo existem dois formatos de aposentadoria. Considerando que Maria comece a trabalhar com exatos 18 anos e não pare de contribuir em nenhum momento da vida, ela poderia se aposentar com louvor aos 48, por ter contribuído 30 anos de sua vida. Considerando ainda que esta mesma mulher viva até os 70 anos, ela teria 22 anos de aposentadoria. Neste período, o governo precisaria arrecadar com os contribuintes o suficiente para pagar ela por todo esse tempo. 

O problema em questão é que a geração de emprego não é suficiente para que hajam trabalhadores em quantidade razoável para sustentar a máquina dos aposentados por tanto tempo. Outro ponto importante a ser considerado é que se cada trabalhador (ou a maioria deles) estiver na mesma situação que Maria, a economia quebra. Simples assim. Isso porque aposentarão cedo e não terão contribuído o suficiente para sustentar sequer suas próprias aposentadorias. Outra questão ainda é que não há geração de empregos que acompanhe a proporção de aposentados para sustentar essa máquina e muito menos arrecadação de impostos o suficiente para cobrir o saldo devedor. 

Neste modelo, entra a Reforma, que basicamente propõe dois requisitos para que a pessoa se aposente: ter 65 anos e ter contribuído ao menos 25 para o sistema previdenciário. A aposentadoria moldada apenas por tempo de contribuição será removida do papel. 

Com o rombo da previdência chegando na casa dos R$309 bilhões neste ano (segundo o site O Globo), fica impossível manter o sistema atual em vigência. Por não conseguir arrecadar o suficiente com os impostos o governo aumenta a dívida pública, imprime mais dinheiro, aumentando em seguida a inflação e gerando mais desemprego, aumento do dólar, desvalorização do produto interno e desconfiança por parte de investidores. É isso mesmo, ladeira abaixo. 

O motivo principal para a dificuldade em fechar a conta é basicamente expectativa de vida, como já mencionado. O sistema atual de previdência foi criado em um período onde as pessoas viviam no máximo até os 45, 47 anos. Hoje, a vida se estende até a média dos 75 anos. logo, a Reforma se faz natural, haja vista que é preciso adequar um modelo que comporte a atual conjuntura. Os limites de idade que foram estabelecidos no passado já não comportam mais a realidade atual do Brasil. 

Outro ponto a ser levado em conta é o número exorbitante que estampa o contracheque daqueles que aposentam no setor público se comparado aos que se aposentam no setor privado. Manter uma aposentadoria alta para servidores nos põe em uma situação bem complicada: sustentar a aposentadoria do funcionalismo público E a do setor privado, muitas vezes sem termos condições de contribuir o suficiente para tal façanha.

O "sacrifício" feito hoje, e que deve ser feito por todos os setores, inclusive o público e a categoria militar, permitirá que as gerações futuras possam continuar se aposentando e impedirá, a médio e longo prazo, a quebra do Brasil. Diminuirá também as despesas do governo, refletindo também na diminuição de impostos e no consequente crescimento da economia. Com o crescimento da economia gera-se mais empregos, mais investimento e a roda finalmente começa a mexer, as engrenagens da economia ficam firmes e podemos visualizar um país próspero com igualdade de oportunidades e benefícios. 

Se a reforma não for aprovada, quem pagará não serão os poetas brasileiros, muito menos a elite nacional. Serão os mais pobres, serão as futuras gerações e é para eles que nossos olhares tem que se voltar neste momento, apoiando e exigindo que esta Reforma seja aprovada.
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Semana passada uma série de tragédias assolou o país e  o mundo. No dia 13, dois rapazes (um de 17 e outro de 25 anos) entraram abrindo fogo em uma Escola de Suzano, cidade que fica há 50km da grande São Paulo. Ao todo foram oito mortes. Dois dias depois foi a vez da Nova Zelândia. Considerado um dos países mais seguros para se viver, a nação neozelandesa foi alvo de um ataque em uma mesquita, onde o assassino teve a audácia de filmar, durante 17 minutos, todo o massacre - anunciado antes em um manifesto de mais de 70 páginas onde o "camarada" destilava ódio puro contra imigrantes, negros, mulheres e todo tipo de pessoa que não fosse o "bonito" e exaltado homem branco. 

A despeito dos questionamentos posteriores sobre porte de arma, bullying, segurança pública entre outros, é preciso ressaltar alguns pontos. O primeiro deles é que no ataque que ocorreu no Brasil, as armas não foram conseguidas de maneira lícita (todas estavam com as numerações raspadas, sinal de que foram adquiridas de forma clandestina). Há anos vivemos m um país onde o porte de armas é proibido e ainda assim nada nos impediu de figurar entre os dez países que mais matam. E pasmém, as mortes, em sua maioria, ocorrem com cidadãos de bem, estes sim desarmados e que veem sua vida minada muitas vezes no simples ato de ir a uma padaria. Estes cidadãos merecem ter condições de se defender e isto é algo que eu, como mãe, defendo e defenderei até o fim. 

O segundo ponto, e o mais importante, é a respeito do valor da vida e da maneira como estamos ensinando as futuras gerações a valorizá-la. Digo isto porque chegamos a um ponto em que o desdém e a desvalorização do ser atingiram um patamar de crueldade elevada: algumas pessoas além de não se importarem com a (vida) do outro não se importam com a própria. E a partir do momento em que a tua própria vida não tem importância para você, que dirá a vida do outro. Entendem a gravidade da situação? É nesse momento que damos vazão a massacres como estes que aconteceram e que, de tempos em tempos, acontecem e tendem a continuar. 

Para um jovem que abre fogo dentro de uma escola e depois se mata, que coisas valem mais pra ele do que a vida? 

Precisamos parar de achar que a educação se limita às quatro paredes da escola, à igreja, à babá e começar  tomar para nós a responsabilidade de não só colocar no mundo mas criar e educar cidadãos de bem. Que aprendam desde cedo, com os nãos de casa a respeitar os nãos da vida. Que entendam que bullying não é brincadeira e que zombar do coleguinha, seja por qual motivo for, pode - literalmente - destruir vidas. Mas devemos ensinar também que independente do sofrimento que nos causarem o mal é do outro e nele deve permanecer. Se vingar de terceiros devido ao sofrimento que lhe foi imposto não é só egoísmo puro mas é sinal de fraqueza de raízes, de fé, de vida, propriamente dito.

É péssimo viver em um lugar onde eu temo pela minha vida e pela da minha filha por sermos mulheres. Temos pela do meu esposo por ele ser negro. Temo, temo, temo.. isso não é vida, honestamente. E enquanto luto para dar mais segurança ao menos para os meus, foco na educação da minha pequena, que nada nada representa toda uma futura geração.

Ensinar e educar, mostrar o valor que uma vida tem (desde sua concepção) e independente de cor, raça, religião ou sexualidade, é dever de cada um de nós como sociedade. E quando nos omitimos desse dever, os frutos são colhidos na forma como vimos nesta última semana. A responsabilidade é dos assassinos SIM mas também é nossa. Vivemos tempos sombrios. Mas se conseguimos trazer as trevas também somos perfeitamente capazes de dissipá-las. 

Qual o valor de uma vida pra você? Pra mim, vale o mundo! E o quão você tem ensinado seus filhos, amigos, companheiros a valorizar isso? Vale a reflexão. 

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No Brasil, o Dia Internacional da Mulher é sempre uma festa de horrores, na minha humilde opinião. Não se celebra a data com alegria, com amor, tampouco o foco se dispõe em ressaltar as conquistas da mulher ao longo dos anos – e quando o faz, a pincelada é tão enxuta que chega dá dó. Mas este ano, em especial, o foco ficou totalmente em usar, da forma mais baixa possível, este dia para atacar o governo que há pouco se encontra no poder.

Este porém, não é o motivo desta reflexão, afinal não quero fazer o que, pra mim, é razão de crítica. Minha análise é voltada para duas vertentes: a incrível façanha de ousarmos comemorar o dia da mulher em um dos países onde mais matam mulheres no mundo (mais especificamente o 5º, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos). Mais do que isso, ousamos ainda jogar isso nas costas de nós mesmas, quando na realidade esta conta não nos pertence. Mas isto já é clichê, é de conhecimento geral e virou algo tão comum que já não é mais tão ressaltado nas reflexões sobre esse dia; e a capacidade de falarmos muito sobre luta e, na prática, ainda fazermos tão pouco como sociedade. 

Lutar para que a violência pare, para que diminuam os feminicídios (a começar por enxergar que eles realmente existem e que hoje, mais de 50% dos crimes cometidos contra as mulheres são SIM com este qualificador), para que tenhamos direitos iguais (perante a lei, pois biologicamente NÃO somos iguais aos homens e insistir nesta premissa é de uma burrice sem fim) é algo que não deve se restringir a um dia do ano. E, principalmente, não deve excluir nossos pais, irmãos, maridos só porque eles são homens. Dizer que “não queremos flores, queremos respeito”, honestamente é ridículo porque um não exclui o outro e nada nos impede de termos os dois. Pelo contrário. Fazer com que um seja fator excludente de outro nos mantém na mesma espiral que nos fez chegar onde estamos. Merecemos flores, merecemos respeito, merecemos o mundo. E merecemos homens que lutem por isso ao nosso lado. 

Mas mais do que homens, merecemos uma sociedade que esteja em sintonia com esta luta e que pare, de uma vez por todas, de nos colocar sempre em condição de inferioridade, de vitimização porque isto não ajuda em nada à causa e corrobora, e muito, para que este verdadeiro massacre contra o “sexo frágil” continue. Merecemos ainda que desde o berço, eduquemos nossos meninos a nos dar flores, a abrir a porta do carro (sim, porque não? É uma questão de cavalheirismo e não de superioridade), a nos respeitar e respeitarem nossas escolhas, inclusive quando elas resultam em um grande e sonoro “não”. 

Só diminuiremos os feminicídios quando diminuirmos também nossa visão de inferioridade, de vítima pré feita. Afinal também podemos - e devemos - ser protagonistas das nossas vidas. Se o mundo lá fora está perigoso pra nós, que saibamos nos defender dele e nele. Sem melindres, sem vitimização. Outro dia, em Brasília, uma moça que lutava muay thai há oito anos rendeu, com um mata leão, um bandido que estava tentando assaltar a concessionária em que ela trabalhava e ficou com ele até a polícia chegar. Esses casos são exceções? Sim. Mas porque não tentarmos transformá-los em regra ao invés de algo esporádico? É arriscado, é perigoso mas honestamente, quando não foi? Isto é resistência. Violência não resolve o problema mas vitimização tampouco. Somos muito mais fortes do que pensamos, só fomos educadas da maneira errada por tempo demais. Que venham tempos de mudanças.

Que consigamos entender que este dia não se resume a um evento isolado e que, no momento da luta também possamos nos dar ao luxo de comemorarmos – com flores, abraços, carinho - nossa existência.
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Jornalista por formação (e coração!), 27 invernos muito bem vividos. Viajante nesse mundão, esposa do Fábio, mãe da Lavínia. Geminiana. Bipolar e ansiosa. Verdadeira apaixonada por livros, filmes, moda, Disney e acreditem, política! Aqui vocês tem um pouco de toda essa loucura! Just come on in! (:

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